Blog
Blog

Tudo que você precisa saber sobre esterilização

VoltarVoltar
DataPostado em Tempo de leitura9 minutos de leitura

Ópticas Cirúrgicas: Como realizar o manuseio e a manutenção corretas segundo a RDC 15

Esterilização Gestão de CME Gestão hospitalar Normas e protocolos reprocessamento
Por guisfons

Em um ambiente hospitalar, cada detalhe importa — e quando falamos de dispositivos ópticos cirúrgicos, a atenção precisa ser redobrada. Esses equipamentos são essenciais para garantir precisão, visualização e segurança durante procedimentos minimamente invasivos. Mas o que muitos profissionais ainda subestimam é que o manuseio incorreto pode comprometer não apenas o funcionamento da óptica, mas também a segurança do paciente e a eficácia do procedimento.

Neste artigo, vamos explorar como realizar o manuseio e a manutenção corretas das ópticas cirúrgicas, com base nas diretrizes da RDC 15/2012 da ANVISA e nas boas práticas apresentadas por Valéria Ornellas Luz Pimentel, coordenadora técnica da Bioxxi.

O que são ópticas cirúrgicas e por que elas são tão importantes?

Ópticas cirúrgicas são dispositivos rígidos utilizados para visualização interna durante procedimentos como laparoscopias, artroscopias e outras cirurgias minimamente invasivas. Elas funcionam como “olhos tecnológicos” do cirurgião, permitindo uma visão clara e ampliada da área operada.

Esses equipamentos são compostos por lentes, hastes metálicas e conectores de fibra óptica, e exigem cuidados específicos para manter sua funcionalidade e evitar distorções de imagem, riscos de infecção ou danos irreversíveis.

Por que o tema merece atenção?

O manuseio e a manutenção corretos das ópticas cirúrgicas não são apenas uma questão de boas práticas — são uma exigência crítica para garantir a segurança do paciente, a eficácia dos procedimentos e a conformidade com normas sanitárias rigorosas, como a RDC 15/2012 da ANVISA.

Esses dispositivos, apesar de parecerem simples à primeira vista, são altamente sofisticados e sensíveis. Uma única falha no processo de limpeza, inspeção ou esterilização pode comprometer a imagem durante a cirurgia, gerar riscos de infecção ou até mesmo causar danos irreversíveis ao equipamento. E quando falamos de ópticas, os custos de substituição são elevados tanto financeiramente quanto em termos de impacto operacional.

Além disso, há um fator muitas vezes negligenciado: a rastreabilidade. A RDC 15 exige que todos os produtos para saúde reprocessáveis tenham seu ciclo documentado, desde o uso até a esterilização. Isso significa que qualquer falha pode ser rastreada até o profissional responsável, o que reforça a importância de capacitação contínua e protocolos bem definidos.

Outro ponto crítico é o impacto direto na experiência cirúrgica. Imagine um procedimento minimamente invasivo sendo interrompido porque a imagem está distorcida ou ausente. Isso não apenas compromete o sucesso da cirurgia, como também expõe o paciente a riscos adicionais, aumenta o tempo de internação e pode gerar consequências legais para a instituição.

Em auditorias sanitárias, as ópticas cirúrgicas são frequentemente alvo de inspeção minuciosa. A ausência de registros, falhas na inspeção com lupa ou uso de métodos de esterilização incompatíveis são motivos recorrentes de notificações e penalidades. Portanto, investir em treinamento, padronização e parceria com empresas especializadas é uma estratégia inteligente e necessária.

Por fim, há o fator humano. Cada óptica representa uma ponte entre tecnologia e cuidado. Quando bem mantida, ela oferece ao cirurgião uma visão clara, precisa e segura. Quando negligenciada, pode se tornar um risco silencioso. E em saúde, os riscos silenciosos são os mais perigosos.

Em suma, uma manutenção inadequada das ópticas pode gerar:

  • Imagem distorcida ou ausente durante o procedimento
  • Interrupção ou cancelamento da cirurgia
  • Danos irreparáveis ao equipamento (com alto custo de reposição)
  • Risco de infecção ao paciente
  • Notificações sanitárias e não conformidades

Além disso, a RDC 15/2012 exige que todos os produtos para saúde reprocessáveis sejam tratados com protocolos validados, rastreáveis e compatíveis com suas características físico-químicas.

Manuseio correto: cuidados no intraoperatório

Durante o uso das ópticas cirúrgicas, é fundamental seguir uma rotina segura e padronizada. Os principais cuidados incluem:

  1. Inspeção antes do uso: verificar brilho, arranhões, rachaduras e integridade da imagem
  2. Manuseio delicado: evitar quedas, impactos e torções
  3. Montagem com atenção: conectar corretamente os cabos e fontes de luz
  4. Controle de temperatura: evitar superaquecimento da fonte de luz
  5. Limpeza intraoperatória (se necessária): com compressas umedecidas e sem abrasivos
  6. Desconexão cuidadosa: após o uso, desconectar com técnica e evitar tração
  7. Transporte seguro: em bandejas apropriadas, sem empilhamento

Essas práticas reduzem o risco de danos e prolongam a vida útil do equipamento.

Limpeza e inspeção no CME: onde tudo começa

Após o uso, as ópticas devem ser encaminhadas à Central de Material e Esterilização (CME) para limpeza, inspeção e preparo para reprocessamento. Os passos recomendados são:

1. Inspeção com lupa ou boroscópio

A RDC 15 exige inspeção visual com lupa de aumento mínimo de 8x. O uso de boroscópio também é indicado para avaliar a integridade interna da lente.

2. Limpeza manual

  • Utilizar detergente enzimático compatível • Evitar escovas abrasivas • Atenção especial ao conector de fibra óptica (proibido na ultrassônica) • Remover sujidade visível e resíduos biológicos

3. Secagem completa

  • Utilizar ar comprimido ou equipamentos específicos • Evitar umidade residual, que pode comprometer a esterilização

Esterilização: métodos compatíveis e cuidados essenciais

A escolha do método de esterilização deve considerar as recomendações do fabricante e a compatibilidade do material. As opções incluem:

  • Autoclave (vapor saturado): preferencial, se o equipamento for compatível
  • Peróxido de hidrogênio: ideal para materiais sensíveis
  • Óxido de etileno (EtO): uso especial, com tempo de aeração prolongado

⚠ ️ Nunca esterilize ópticas sem consultar as instruções do fabricante. O uso de métodos inadequados pode danificar lentes, vedantes e conectores.

Manutenção preventiva e rastreabilidade

A manutenção preventiva é uma prática obrigatória para garantir a segurança e a durabilidade das ópticas. Ela deve incluir:

  • Inspeção periódica com checklist técnico
  • Avaliação de brilho, arranhões, rachaduras e vedação
  • Verificação da conexão de luz e imagem
  • Registro completo no sistema do CME (rastreamento por lote, data e responsável)

A rastreabilidade é exigida pela RDC 15 e permite identificar falhas, prevenir riscos e garantir conformidade em auditorias sanitárias.

Armazenamento adequado: o cuidado que evita prejuízos

Após o reprocessamento, as ópticas devem ser armazenadas em:

  • Local seco, protegido de luz direta
  • Bandejas ou suportes específicos para ópticas
  • Nunca empilhadas ou soltas em caixas comuns

O armazenamento inadequado é uma das principais causas de danos físicos e distorções de imagem.

Consequências do manuseio incorreto

A negligência com os cuidados descritos pode gerar:

  • Imagem comprometida durante a cirurgia
  • Risco de infecção por falhas na esterilização
  • Danos irreversíveis ao equipamento (com alto custo de reposição)
  • Notificações sanitárias e penalidades regulatórias
  • Perda de credibilidade institucional

Bioxxi: excelência em reprocessamento e inspeção de ópticas

As ópticas cirúrgicas são instrumentos de alta precisão e exigem cuidados compatíveis com sua complexidade. O manuseio e a manutenção corretas não são apenas boas práticas: são exigências legais, técnicas e éticas.

Na Bioxxi, cada óptica cirúrgica é tratada com rigor técnico, rastreabilidade e conformidade total com a RDC 15. Nossos diferenciais incluem:

  • Inspeção com lupa de aumento mínimo de 8x
  • Equipe capacitada e treinada em manuseio seguro
  • Reprocessamento validado com métodos compatíveis
  • Documentação auditável e pronta para inspeções
  • Armazenamento em bandejas específicas e ambiente controlado

Com a Bioxxi, sua instituição pode contar com um parceiro especializado, que entende a importância de cada lente, cada conexão e cada etapa do processo. Porque na saúde, cada detalhe importa.

Fale com nosso time técnico e descubra como podemos apoiar sua CME na gestão segura e reprocessamento eficiente de ópticas cirúrgicas.

Leia tambémLeia também

Tudo sobre OPME: Aspectos Legais, Controle, Reposição e Rastreabilidade

Continue Lendo Seta

Como evitar danos aos produtos durante o processo de esterilização?

Continue Lendo Seta

Como deve ser o cuidado correto dos equipamentos da CME?

Continue Lendo Seta